A vaga precisava ser preenchida rápido. A empresa estava crescendo, a demanda aumentando, a equipe sobrecarregada. Existia urgência. Então a vaga foi divulgada, muita análise de currículos, entrevistas marcadas para tentar encontrar alguém que “dê conta do serviço”. Na entrevista verificou-se que a pessoa tem experiência, já trabalhou na função, fala bem, parece interessada. Em pouco tempo, a decisão é tomada. E, naquele momento, tudo parece resolvido.
Até que o tempo passa. Pequenos comportamentos começam a aparecer, situações começam a gerar desconforto, a postura não acompanha o ambiente da empresa e, aos poucos, a empresária percebe que essa pessoa simplesmente se transformou depois que conseguiu a vaga. Ela se pergunta o que aconteceu, o que ela não percebeu durante a entrevista.
Ela colocou alguém dentro do próprio ambiente que construiu, mas a análise feita anteriormente não levou isso em consideração, todo o processo seletivo girou em torno de perguntas técnicas. Sabe executar? Já trabalhou na área? Tem experiência? Conhece a função? Consegue aprender rápido?
Tudo isso é importante, com certeza, mas existe uma camada muito mais profunda que muitas empresárias ignoram: quem é essa pessoa que está acessando seu ambiente? Afinal, empresas não funcionam apenas através de tarefas. Elas dependem de convivência, comportamento, comunicação e valores.
Poucas pessoas enxergam dessa forma, mas contratar alguém é, sim, construir um tipo de relacionamento. Você está trazendo uma pessoa para perto dos clientes, das decisões, da equipe e, muitas vezes, daquilo que levou anos para ser construído.
Por que analisamos profundamente um parceiro pessoal, mas contratamos funcionários apenas olhando currículo? Não nos relacionamos com qualquer pessoa na vida pessoal, observamos caráter, valores, postura, responsabilidade, visão de vida, forma de agir diante das situações. E é importante que isso também aconteça nas empresas. Competência técnica não é tudo.
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Competência técnica sem alinhamento comportamental gera desgaste
Uma pessoa pode ser extremamente boa tecnicamente e, ainda assim, gerar problemas enormes dentro da empresa, pois competência técnica não corrige caráter, nem postura ou valores. Uma pessoa tecnicamente boa, mas irresponsável, pode comprometer clientes, ser negativa e contaminar o ambiente inteiro, pode gerar prejuízos financeiros e emocionais difíceis de reparar. E, quando isso acontece, muitas empresárias se desgastam tentando resolver através de treinamento algo que nunca foi problema técnico.
Existe uma pergunta que deveria fazer parte de todo processo seletivo: essa pessoa pensa de forma compatível com a cultura que eu quero construir? E aqui não estamos falando de perfeição, mas sim de alinhamento mínimo de valores. Existem pessoas que enxergam responsabilidade de forma diferente, que acreditam que pequenos erros não têm importância, que normalizam mentira, manipulação, atraso constante ou falta de comprometimento.
Também existem pessoas que enxergam crescimento de forma negativa, que associam dinheiro a algo ruim, que consideram ambição algo errado ou que rejeitam qualquer ambiente que exija evolução. E a questão não é julgar essas pessoas, mas entender se elas são compatíveis com o tipo de empresa que está sendo construída. Caso contrário, haverá conflitos de interesses posteriormente.
Quando a empresa está sobrecarregada, a tendência é acelerar decisões. A empresária sente necessidade de resolver o problema rapidamente e começa a flexibilizar critérios importantes. Ignora sinais, reduz análise comportamental e toma decisões baseadas apenas na necessidade imediata. Muitas empresas nem mesmo tem um critérios estabelecidos para o processo seletivo.
Contratação exige treinamento, adaptação, acompanhamento e integração, exige investimento de tempo, energia e dinheiro. E quando ela não funciona, o prejuízo não é apenas financeiro. Existe desgaste emocional, impacto operacional, retrabalho e perda de tempo, um dos recursos mais caros dentro de qualquer empresa.
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Como observar além do currículo
Identificar caráter e comportamento em uma entrevista não é algo simples. Pessoas sabem se apresentar bem, sabem responder o que parece correto, sabem construir uma imagem profissional. Mas existem sinais. A forma como a pessoa fala sobre empregos anteriores, como se posiciona diante de responsabilidades, como reage quando questionada, como enxerga crescimento, dinheiro, esforço, aprendizado e comprometimento. Tudo isso comunica muito mais do que respostas prontas.
Além disso, entrevistas mais profundas, perguntas situacionais e análise comportamental ajudam a revelar padrões importantes. No fim, contratar bem não é apenas encontrar alguém que saiba executar tarefas, é encontrar alguém compatível com o ambiente que está sendo construído.
Muitas empresárias tentam resolver problemas de equipe depois que as pessoas já entraram na empresa. Tentam corrigir postura, desenvolver responsabilidade, ajustar comportamento e alinhar valores depois da contratação já ter sido feita. Só que algumas decisões deveriam acontecer antes.
Um processo seletivo mais estratégico não elimina totalmente os erros, mas reduz drasticamente as chances de trazer para dentro da empresa pessoas desalinhadas com aquilo que você quer construir.
Contratar bem é proteger aquilo que você construiu
Uma empresa não cresce apenas através de vendas, marketing ou operação. Ela cresce através das pessoas que fazem parte dela diariamente. Por isso, contratar alguém nunca deveria ser tratado apenas como preencher uma vaga. Você está colocando alguém dentro de um ambiente que exigiu esforço, risco, renúncia e construção para existir. E essa decisão merece profundidade.
No Método Atlas, eu ajudo empresárias a estruturarem processos seletivos mais estratégicos, analisando não apenas competência técnica, mas também perfil comportamental, alinhamento de valores e compatibilidade com o tipo de empresa que está sendo construída.
Porque muitas vezes o problema da equipe começa na contratação.
Se você quer construir uma equipe mais alinhada, reduzir rotatividade e tomar decisões mais seguras na hora de contratar, me chame e vamos analisar o seu cenário.